Desidratação nos desportos colectivos reduz capacidade do sistema nervoso central em estimular a contração muscular

De acordo com um novo estudo ibérico sobre os requisitos para manter uma hidratação adequada durante a prática da atividade física, publicado na revista “Nutrición Hospitalaria” (Nutr Hosp. 2014;29(1):21-25), em desportos de alta intensidade como os de força, combate ou de equipa, a desidratação reduz a capacidade do sistema nervoso central em estimular a contração muscular. O estudo levado a cabo pelos professores e investigadores da Universidade do Pais Vasco (UPV-EHU), Aritz Urdampilleta (da Faculdade de Ciências de AF e desporto) e Saioa Gómez-Zorita (Faculdade de Farmácia), concluiu também que manter uma hidratação adequada antes, durante e depois da atividade física não só melhora o rendimento desportivo, como tem consequências positivas na saúde das pessoas. O trabalho agora publicado, resulta de uma ampla e rigorosa pesquisa levada a cabo entre 2006 e 2013
No desporto, através da respiração e transpiração abundante (maior em ambientes quentes acima dos 30ºC ou com humidade relativa superior a 50%), as perdas de água podem chegar a 2 a 4 l por hora. Como observaram os investigadores Urdampilleta e Gómez-Zorita, “as necessidades de água dependem da intensidade da atividade e do stress térmico”, esclarecendo que “para que a hidratação seja adequada, as bebidas durante a competição devem ser isotónicas (200 a 320 mOsm / kg de água)”.
Segundo os mesmos autores, as bebidas isotónicas devem hidratar, fornecer sais minerais e hidratos de carbono e aumentar a absorção de água mediante uma combinação de sódio e diferentes tipos de açúcares. “É importante seguir protocolos corretos de hidratação antes, durante e depois da atividade física, assim como conhecer as limitações que a prática desportiva nos pode trazer, segundo as condições ambientais em que se realiza.”
Em desportos de longa duração com mais de 4 horas como a maratona ou o triatlo, é normal uma perda de peso corporal entre 2 e 6%, o que se reflete na saúde e é um fator limitativo do rendimento desportivo. Em corridas de ultramaratona (120 a 160 km), por exemplo, devido à dificuldade em ingerir uma quantidade adequada de líquidos, assiste-se a estados de desidratação (3-6%) em 50% dos ultrafundistas e 30% chegam a sofrer de hiponatremia. Neste sentido, os autores afirmam que “os efeitos de cerca de 6% de desidratação poderiam ser melhorados com estratégias dietético-nutricionais específicas e personalizadas, por forma a atingir apenas 2% de desidratação, o que afeta a eficiência metabólica mas que não terá grande risco para a saúde”. Tal seria possível atingir-se com uma hidratação entre os 0,6 a 0,9l/hora através de bebidas isotónicas
Conforme o grau de desidratação conseguiu-se avaliar uma série de efeitos fisiológicos com significados especiais. Ficou demonstrado no estudo que com um nível de desidratação de apenas 1% do peso corporal se regista um aumento de 0,3°C e cerca de 6 pulsações por minuto no mesmo exercício físico. Com 2% ocorre uma disfunção ao nível da termorregulação, com um aumento da temperatura corporal (0,6 a 1° C) e do ritmo cardíaco. Se o nível de desidratação for de 3%, diminui a resistência muscular por perda da eficiência bioenergética e pode surgir hipertermia, cefaleias e desorientação.
Com um nível de desidratação de 4% surge a perda de força e resistência, cãibras musculares por défice de eletrólitos e o risco de queimaduras de frio em altitudes elevadas e abaixo de 0°C. Já com um nível de desidratação de 5 a 6%, como referem os investigadores “é evidente a presença de exaustão e um aumento significativo da temperatura corporal (39 a 41°C, estado febril) até cessar a atividade desportiva”.
As necessidades de líquidos e sais minerais variam substancialmente de pessoa para pessoa, dependendo fundamentalmente de fatores como a idade, o estado fisiológicos e as condições ambientais. Quando se pratica uma atividade física, “ter em conta as necessidades de líquidos é crucial”, afirmou o investigador Aritz Urdampilleta. E, como destaca, “são muitas as funções que a água tem em relação à atividade física, entre elas: manter mais estável o volume sanguíneo e a temperatura corporal para um melhor funcionamento físico do organismo”.
FONTE
Fonte:Urdampilleta A, Gómez-Zorita S. From dehydration to hyperhydration isotonic and diuretic drinks and hyperhydratant aids in sport. Nutr Hosp. 2014;29(1):21-25.
